Fanatismo

Bom, o post hoje não tem nada de (in)utilidade pública, nem de críticas infantis pertinentes, nem sequer tem qualquer preocupação em ser condizente com o tema do blog.
[se é que há um tema específico]

Trata-se unicamente de uma das mais belas poesias já escritas, na minha modesta opinião, claro.
Essa poesia que particularmente hoje, me soou mais bela, talvez até pela simplicidade com a qual se fez vívida em minha memória pela manhã.
Sinceramente, adimito que sequer recordava de sua existencia e por esse motivo, agradeço a Júlia e a Vanessa por terem ontem à noite a recitado numa maravilhosa e inconfundível performance de bar, me fazendo lembrar que mais do que uma música popular, gravada por Fagner, trata-se de uma bela obra dessa excepcional personalidade que foi Florbela Espanca.



Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

Pra quem não conhecia ou pra quem já conhece e adimira, saiba que obras completas encontram-se disponíveis pela rede a fora.
Se querem uma dica, um site legal pra baixar essa e outras obras é o Domínio Público  que é uma iniciativa que finalmente tem alguma serventia do MEC e Governo Federal, onde são disponibilizadas diversas obras, sobretudo de literatura brasileira e estrangeira.
E o melhor de tudo: É grátis.


Aproveito então pra deixar disponível pros pseudo-cults de plantão, que fingem se interessar se interessaram em conhecer mais e/ou melhor as belas obras de Florbela, o link do Livro de Sóror Saudade onde foi publicada a poesia acima e outras, obviamente.


Abraço a todos e até mais ver. :)


Acontenceu nesse final de semana (18 e 19 de Setembro), em Recife, o maior e mais badalado festival de musica e exibição pseudo-cult (leia-se: Indie) que o Estado de Pernambuco já conheceu.
Em sua sexta edição, o festival foi uma verdadeira aglomeração de esquisitices gente bonita e bacana.
É claro que foi notável a presença maciça dos velhos modernos pseudo-cults/intelectuais, coloridos estimáveis caqueanos - habitantes e frequentadores do Centro de Artes e Comunicação (C.A.C.) da UFPE - fiés a sua moda retrô: camiseta listrada, óculos de armações grossas e all star-pratodavida.

À parte toda elegancia, beleza e carisma do público, a produção do festival não inovou mais uma vez.O festival contou essencialmente com a participação de bandas semi-desconhecidas européias, do tipo que a grande maioria do público que se dispos a ir prestigiar, só procurou conhecer depois de divulgada programação oficial completa do festival - cerca de um mês antes das datas fixadas pro início do evento.
Exceção para a banda Beirut do mexicano Zach Condon que ficou conhecida em terras brasileiras graças ao fato de compor a trilha sonora de uma mini-série exibida num canal de tv aberta brasileiro.
Salvo o hit Elephant Gun da banda citada, outra certeza - das poucas que se poderia ter - era que o inestimavelmente culto público do evento já teria, no mínimo, ouvido falar em algum tempo remoto de Lô Borges e Milton Nascimento, que juntos foram a principal atração da última noite do festival. No mais, dentre poucas outras atrações nacionais, o festival primou por uma exaltação ao Ano da França no Brasil e ao já estabelecido projeto Invasão Sueca, da própria produção do evento.


Pra quem tiver paciencia curiosidade, fica ai  um vídeo interessante do Beirut e, de brinde, fica disponível também o download do Lon Gisland EP da banda, gravado em 2006 (se houver interesse, posso disponiblizar outros albuns da banda).


Pra quem cansou de ler tanta baboseira e tá afim de uma opção mais parcial séria de cobertura do evento, pode encontrar no site oficial do Coquetel Molotov ou ainda na análise de Montarroyos, no site Recife Rock, que tem uma equipe sempre antenada nos mais diversos acontecimentos musicais do Estado.

Abraços e até mais ver.

Se não tem o que compartilhar...



... compartilha doritos.



Bom, tá bem claro o quanto esse blog andava abandonado e, teoricamente, quais seriam as perspectivas de torna-lo novamente ativo.
Quem me conhece sabe bem da minha disciplina (rum-rum) em manter qualquer tipo de rotina, portanto, informo-lhes que o blog retorna hoje, porém, ficará sempre incognito se irá se manter amanhã, depois, e depois...

Voltando ao que interessa, eu estava essa noite vasculhando os tópicos de uma comunidade qualquer no orkut e me deparo com o seguinte título: Doritos é homofóbico.

O tópico tratava-se de uma retaliação ferrenha não a propaganda do produto, mas à reação de ativistas homossexuais a essa propaganda, divulgada em um blog.

Percebe-se que o criador do tópico tem um domínio bastante plausível das suas argumentações (ou um domínio plausível do ctrl + c / ctrl + v), porém é notável a inclinação pra salvador da verdade, da ciência e da intelectualidade que ele pontua na argumentação.
Confesso que achei interessante a idéia de divulgar aqui, na verdade, as discussões que se sequenciam comumente nas comunidades mais distintas do orkut, mas deixo claro, de antemão, que a prentesão é de apenas publicar aqui os meus pontos de vista. Ou seja, minha própria visão sobre o debate. Quem quiser ter acesso ao debate em sua amplitude, me procure por e-mail, pelo próprio orkut ou outro contato quaisquer que tenha comigo.

E, como havia dito, fica aqui minha argumentação postada originalmente no tópico anteriormente citado.
E fiquem a vontade pra me xingar, caso queiram. (Mentira, ok?)


Sobre a recepção da propaganda: Teoria da Conspiração ativamente aplicada.

Sobre o comentário que se seguiu em reação a isso: Adimito que ficou um pouco confuso já que o discurso hora se mostra meramente uma explanação em contradição a determinadas posturas/reações, hora me parece uma resposta a um comentário anterior (excluido?).

Bom, o fato é que, discordo de ambas as posturas. (tanto de 'ativistas', como em reação a eles)
Quem aqui é o que pra definir o que é certo e o que é errado?
Séculos e séculos, milenios e milenios se tecem e a humanidade não conseguiu definir um conceito irrefutável a respeito de NADA.
Não existem conceitos inatos. Os conceitos são construidos socialmente, culturalmente, historicamente e até politicamente.
Não sejamos (com perdão do termo) burros a ponto de querer definir o indefinivel. Aspirações à salvador de toda produção filosofica e intelectual são, no mínimo, ridículas.


Entendam que eu não estou aqui criticando uma colocação, teoria, um ponto de vista especificamente. Estou sim, criticando (humildemente falando) essa mania que a humanidade em geral (salvo rarissimas exceções) tem de definir tudo, de pragmatizar tudo, de estabelecer paradigmas indestrutiveis, verdades incontestaveis.

Sejamos humildes, meus caros, a verdade é aquilo que se aprende e se apreende.
Essa atitude positivista e anacronica de fundamentar discursos nas ciencias ("ciencias" de um modo geral), por si só já se prova inconcebível.
Ora, fosse assim, a história já teria chegado a um fim, como acreditavam certos teóricos do início do séc. XX. Ora, se as ciências já possuem seus axiomas inexoraveis, seus paradigmas, suas verdades incontestaveis, o que tanto ainda se busca explicar? Como se explica noções, axiomas e "verdades" derrubadas ao longo de toda a história? O que é o advento e aceitação (por tantos) do pós-modernismo, no seu sentido mais amplo possível, como desconstrutor de paradigmas, se não uma contraposição a tudo que se estabelece como fato ou verdade?

Abstenham-se dos conceitos, do certo e do errado, das fundamentações e das verdades pré-estabelecidas, no fundo elas nada provam.
A humanidade tem hoje necessidades mais urgentes e imediatistas do que teorizações sobre certo e errado.
Enfim, vestir-se de libertador da realidade é o mesmo que tentar se jogar do 15º andar acreditando-se o super-homem.


Hão de concordar (ou não, fiquem a vontade... rs) que - usando o tema que gerou o debate - um grupo (homossexual) que defende a liberdade de toda expressão (em sentido amplo)e hipocritamente repreende uma forma (seja ela qual for) dessa expressão e, um grupo que diz estar salvo de conceitos pré-determinados e também hipocritamente se fundamenta e alicerça em paradigmas cientificos (ou nos religiosos), ditos experimentais na maioria das vezes, só compoem e expoem, infelizmente, a mediocridade dos nossos debates.


Convenhamos que concordar ou discordar é digno de qualquer ser humano, mas embasar conceitos como verdades é pretensão demais, ao meu ver.
Eu pessoalmente não tenho pretensão alguma de re-criar paradigmas. Vê-los ao chão já me é suficiente.

E daí se a ciencia (ou a religiao) me diz que eu nao posso sentar na mesa e escrever na cadeira?
E daí também se os contrários a tudo que é "natural" me dizem que eu posso sim sentar na mesa e escrever na cadeira?


Eu posso querer ir contra a ordem, e também posso querer me manter obediente a ordem.
É a contradição inerente (e talvez seja essa a unica caracteristica de fato inerente ao ser) ao ser humano que me põe em condição de ir de encontro a toda e qualquer concepção. A democracia me dá o direito de não ser democrática.

Bom, pra quem ficou curioso, segue ai os vídeos da campanha.

Like a Virgin

YMCA

Abraços e até a proxima postagem.
(isso se ela existir =] )

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